domingo, 3 de junho de 2012

O Menino que Quase Morreu Afogado no Lixo

Ronaldinho era um menino que tinha uma característica muito comum nos dias de hoje: não gostava de arrumação, de limpeza, nem de colocar o lixo no lixo... Um dia, os pais do Ronaldinho viajaram e ele ficou sozinho em casa.

De dia, a empregada Xuxa ia fazer a limpeza e, à noite, a avó ia dormir lá e fazia todas as vontades do menino. Como ele não curtia essa coisa de guardar a roupa suja no cesto, o resto de comida no lixo e deixava a louça suja espalhada pelos quatro cantos da casa, além de brinquedos amontoados, o lixo foi acumulando, acumulando, até virar uma grande montanha que quase lhe sufocou. Era tanto lixo que ele teve que ser salvo pelos bombeiros.

De tudo saía do seu quarto e, no final da história, quando se buscava culpados para o que tinha acontecido, Ronaldinho, quase sem ar, fez a sua reflexão. Sim, a culpa era dele!!! E passou a cuidar de tudo direitinho e principalmente a fazer triagem seletiva do lixo no seu próprio quarto.

"O Menino que Quase Morreu Afogado no Lixo" é de uma das minhas escritoras infantis preferidas, a Ruth Rocha, e foi adotado pela escola do meu filho. Achei a história fantástica! Como aquela história mexe com eles, como eles se identificam com a necessidade de organizar suas coisinhas e também de ajudar em casa para manter cada coisa no seu canto!

Pois é, quem está querendo dar uma forcinha na organização diária da turma e e também na conscientização da coleta seletiva tem uma boa sugestão para um super pontapé com "O Menino que Quase Morreu Afogado no Lixo".

Ficha: "O Menino que Quase Morreu Afogado no Lixo"
Autora: Ruth Rocha
Ilustrações: Alcy Linares
Editora: Quinteto Editorial
 Páginas: 32

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Jogos para entreter, divertir e aprender

O uso de celulares, pcs e tablets por crianças têm suas vantagens. Pelo menos naquela hora que você está precisando que a criança fique quietinha, mas sob seu controle. Tenho o cuidado de não entregar esses brinquedos tecnológicos nas mãos dos meninos sem vigilância. Isso porque eles mexem tanto, têm tanta habilidade, que podem chegar a caminhos que você não quer ou até que são perigosos, em se tratando de internet.

Mas vamos aos benefícios. Na hora da espera do consultório médico (cada vez mais intermináveis), num restaurante ou ainda numa viagem longa, os jogos podem ser uma ótima. Mas lembrando uma palestra que assisti da psicopedagoga Tâmara Bezerra, um fenômeno em técnicas de contação de histórias, os pais não podem deixar os filhos lerem qualquer livro ou jogarem qualquer jogo. Segundo ela, os pais, considerando toda a sua percepção de vida, cultura, estilo e crenças, devem escolher, pelo menos conhecer o conteúdo, até mesmo do jogos, antes que chegam às mãos dos pequenos. Um exemplo que Tâmara Bezerra mesmo citou na palestra foi de um afilhado que estava jogando videogame cujo objetivo do jogo era atropelar velhinhas e deficientes físicos (acho que era isso....) e a mãe da criança não tinha a menor ideia. Enfim, não dá para deixar por conta deles.

Eu mesma caí no “conto do príncipe” e acabei comprando um livro RIDÍCULO, fenômeno editorial com casca norte-americana, para o meu filho, numa feira de livros promovida dentro da escola. Claro que eu não li antes! Só vi a besteira feita em casa.... o livro é tão “embananado” que ele nem se interessou mais, foi capturado só pela capa e pelo título engraçado. Ainda bem.

Mas o assunto são os jogos. A revista Crescer fez uma seleção de aplicativos de jogos para crianças e também para os grandes disponíveis em smartphones e tablets, como Ipad, Iphone, Nokia, Blackberry, com descrição e classificação de idade. Além de entreter, alguns jogos são pensados para desenvolver habilidades, de acordo com a faixa etária. Depois dessa lista, eu mesmo baixei alguns que são bem legais mesmo. Vamos lá!

(A seleção feita pela Crescer está aí, mas o link da matéria é este http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI302063-10540,00.html )


   ReproduçãoInjini
Recomendado por pais e professores, o Injini tem nove opções de jogos com diversos níveis de dificuldade. Entre quebra-cabeças e sequências lógicas, estimula a fixação da memória, o raciocí n io, noções espaciais e as associações. O game está em inglês, mas é bem intuitivo. Já ganhou prêmios e boas avaliações de especialistas. Só para iPad. A versão lite é grátis (dá acesso a diversas opções) e a completa custa US$ 29,99.
A partir de 2 anos


   ReproduçãoAngry Birds
Sucesso absoluto no mundo tod o, o game dos passarinhos camicases que lutam contra os porcos que roubaram seus ovos estimula a coordenação motora e a concentração - e é tão divertido que as crianças não vão querer largá-lo. Além da versão tradicional, há mais três: Seasons, Rio e a mais recente, Space. Para iPhone e iPad (grátis na versão básica), Android (grátis), Windows Phone (R$ 1,99), BlackBerry (US$ 4,99) e celulares Nokia (grátis). A partir de 4 anos


   Reprodução
Cut the Rope
Nesse jogo, a missão é alimentar um bichinho com doces, usando habilidades motoras - e muita estratégia - para pegar estrelinhas pelo caminho. Para iPhone e iPad (grátis na versão básica), Android (grátis), BlackBerry (US$ 2,99) e celulares Nokia (R$ 5,99). A partir de 3 anos



   ReproduçãoDoodle Jump O objetivo do game lembra o lema de Buzz Lightyear, “ao infinito... e além!”. O jogador precisa ajudar um bichinho a escalar um dos vários cenários do game, cheio de plataformas. Para isso, tem que ter coordenação motora afinada para escapar de obstáculos e monstros pelo caminho. Uma dica: é mais fácil jogar no celular do que no tablet. Para iPhone e iPad (grátis na versão básica), Android (R$ 1,80), BlackBerry (US$ 0,99) e celulares Nokia (R$ 1,99). A partir de 3 anos


 
   ReproduçãoFruit Ninja
Esse jogo é simples e divertido: é preciso cortar ao meio frutas que surgem na tela usando o dedo como uma espada ninja. Exige concentração para não perder as frutinhas e ainda evitar as bombas, que tiram pontos. Para iPhone e iPad (grátis na versão básica), Android (grátis), Windows Phone (R$ 5,99) e celulares Nokia (R$ 1,99). A partir de 3 anos


   ReproduçãoWhere’s My Water 
diversão do joguinho é fazer um caminho para levar água limpa até o jacaré Swampy. Além de estimular as crianças a gostar de tomar banho, o game desenvolve a coordenação motora e a estratégia de forma lúdica, com design bonito e divertido. Para iPhone e iPad (grátis) e Android (grátis). A partir de 3 anos


   ReproduçãoPictureka
A missão de quem joga Pictureka (já sucesso no tabuleiro) é encontrar objetos numa espécie de tabuleiro no estilo do livro Onde Está Wally?. A atividade não é das mais complicadas, mas exige concentração e talvez um dicionário para traduzir os termos pedidos, que estão em inglês (o que pode ser uma ótima chance de aumentar o vocabulário neste idioma).
Para iPhone e iPad (US$ 0,99) e Android (grátis). A partir de 5 anos



   ReproduçãoUno
O tradicional jogo de cartas está também em tablets e celulares. Ao combinar números e cores, aguça o senso de estratégia e a inteligência. Além de despertar o sentimento de grupo quando jogado com os amigos. ara iPhone e iPad (grátis), Android (grátis), BlackBerry (grátis) e celulares Nokia (grátis na versão demo). A partir de 6 anos



   ReproduçãoAsphalt 6
Nesse joguinho de corrida, é preciso ter coordenação motora e senso de direção para pilotar um carro de corrida. Para iPhone e iPad (grátis na versão básica), Android (R$ 1,80), BlackBerry (grátis) e celulares Nokia (R$ 1,99). A partir de 6 anos




   ReproduçãoFairies Fly
De forma bem divertida, as jogadoras usam sua coordenação motora para movimentar o aparelho (fica melhor no tablet) e conduzir a fada Sininho por florestas. Assim ela voa para pegar objetos e desviar de obstáculos. Para iPhone e iPad (grátis). A partir de 3 anos

terça-feira, 8 de maio de 2012

Patinação e segurança

O calçadão da Beira Mar e da Praia de Iracema, em Fortaleza (CE), reformado recentemente, proporcionou uma nova modalidade de diversão e esportes não só para crianças, mas para adolescentes e também adultos mais despojados: os patins.

Diariamente, pessoas de todas as idades estão lá fazendo seus zig-zags, tentando se equilibrar em cima das botas rolantes ou ainda fazendo verdadeiras acrobacias. O mais curioso de tudo isso é que quase ninguém usa equipamentos de segurança, como joelheiras, cotoveleiras, capacetes, luvas de proteção, entre outros. No último domingo, em breve passeio pelo local, vi apenas UMA criança usando joelheira, e presenciei inúmeras quedas.

Meu povo, se eu fosse tentar subir nos patins, tinha que deixar uma ambulância de plantão.... Não é fácil mesmo! A possibilidade de queda é muito grande!

E uma queda de patins ou bicicleta pode ser grave. As estatísticas negativas estão aí para atestar que eu "não estou vendo coisa onde não tem". Segundo dado da ONG Criança Segura (www.criancasegura.org.br), os acidentes, ou lesões não-intencionais, representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. No total, cerca de 5 mil crianças morrem e mais de 119 mil são hospitalizadas anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde, configurando-se como uma séria questão de saúde pública. Segundo a Criança Segura, as quedas representam a principal causa de internação entre os acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil. Isso quer dizer que a queda caracteriza-se como o acidente que mais gera hospitalização de crianças.


Tudo bem, não estou aqui tentando cortar o barato de ninguém, mas imagine uma queda de cima dos patins ou até mesmo de uma bicicleta. Não importa a idade, provavelmente cotovelos, joelhos, mãos e até face poderiam ser machucados. Os meninos talvez até por serem mais ousados nos patins estão numa situação mais confortável porque usam calças compridas, ao contrários das meninas com seus shortinhos.

Imagino que os equipamentos de segurança não sejam vendidos juntos com os patins ou ainda possam até ser mais caros que eles, mas, na minha modesta opinião, o uso destes acessórios de segurança deveria ser obrigatório e fiscalizado. Assistir a exposição de crianças de diferentes idades a acidentes não é legal.

Vem aí justamente a boa notícia: a Criança Segura diz que estudos mostram que pelo menos 90% dessas lesões caudasas por acidentes podem ser evitadas com atitudes de prevenção. Sai muito mais barato o poder público ou até empresas de planos de saúde fazerem um alerta sobre isso do que só receberem as vítimas e os prejuízos sociais e financeiros que esses acidentes podem trazer.


Conscientização faz muita diferença e nenhuma mãe ou pai vai querer ver seu filho exposto a riscos.
Por isso, abaixo reproduzo dicas da Criança Segura para prevenção de quedas para os nossos pequenos se divertirem sem riscos.

• Use portões de segurança no topo e na base das escadas. Caso a escada seja aberta, instale redes ao longo dela;

 • Instale grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos. As redes devem ter espaços de no máximo 6 cm;

• Crianças com menos de 6 anos não devem dormir em beliches. Se não tiver escolha, coloque grades de proteção nas laterais;
 
• Mantenha camas, armários e outros móveis longe das janelas, pois podem facilitar que crianças os escalem e se debrucem para fora do prédio ou casa. Além disso, verifique se os móveis e o tanque da lavanderia estão estáveis e fixos;

 • Ao andar de bicicleta, skate ou patins, o capacete é o equipamento fundamental. Ele pode reduzir o risco de lesões na cabeça em até 85%;
 • Cuidado com pisos escorregadios e coloque antiderrapante nos tapetes;

 • Crianças devem ser sempre observadas quando estiverem brincando nos parquinhos. O risco de lesão é quatro vezes maior se a criança cair de um brinquedo com altura superior a 1,5 m. Verifique se os brinquedos estão em boas condições e se são adequados à idade da criança. O piso deve ser de absorção para a queda, como gramas, areia e borrachões com espessura acima de 3 cm;

• O uso de andadores não é aconselhado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Além de comprometerem o desenvolvimento saudável da criança, podem causar sérias quedas;

• Mantenha uma mão segurando o bebê durante a troca de fraldas. Nunca deixe um bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis, mesmo que seja por pouco tempo;

• Crianças não devem brincar perto de barreiras e barrancos.

Saiba mais:
 
Entre as principais causas de quedas com bebês estão os móveis, escadas e andadores. Este último é responsável por mais acidentes que qualquer outro produto infantil destinado a crianças entre 5 e 15 meses. A maior parte das lesões resulta de quedas em escadas ou simplesmente por tropeços quando estão no andador. Não use andador com rodas.

 A queda de objetos pesados sobre a criança, como televisores por exemplo, também pode causar lesões graves e até a morte. A televisão costuma ser muito atrativa para os pequenos, com tantos botões, imagens e sons. A criança pode tentar mexer sozinha no eletrodoméstico ou mesmo equilibrar-se nele para levantar do chão, causando a queda da TV - ou qualquer outro objeto pesado - sobre ela. Por isso, supervisione sempre a criança, mesmo que em uma atividade a princípio sem riscos como assistir TV. Certifique-se de que os móveis, além de fixos e estáveis, podem suportar bem o peso do aparelho.


(Fonte: Criança Segura- www.criancasegura.org.br)

Alow, tem alguém aí?!



Alow, tem alguém aí?!

Se sim, se não, eu estou voltando!

Peço desculpas pela tamanha ausência.

Estive por aí, mas agora bem aqui.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Buscando a independência

Se desprender muitas vezes do seu próprio sentimento e da sua vontade em certo momento é importante para ensinar as crianças a crescerem. (Isso quando você também tem que aprender...). Difícil impor limites e situações em que esses meninos possam se deparar com desafios a serem superados, quando você deseja protegê-los e ajudá-los a todo instante. Ser firme -- e não dura -- com um combinado anterior, é necessário para criar uma relação de independência e confiança entre grandes e pequenos.

A primeira semana dos meninos na escola francesa foi bem melhor que o início da segunda, motivo desta reflexão. Hoje de manhã, depois de um final de semana repleto de atividades, os dois ficaram chorando, tristes com a despedida. E eu, destruída. O menor disse até que estava com dor de barriga para não ir para a escola. Conversei com ele e, apesar de não ter absoluta certeza da existência da dor, percebi que nem ele tinha certeza e nos despedimos: ele aos berros e eu dizendo que voltava mais tarde.

Relatei a situação para a professora e fiquei mais tranquila. O mais velho, quando passei (escondida, é claro) novamente pela sala, não apresentava mais os olhos chorosos. Sei que se trata de uma situação muito nova para eles, já que ainda não falam francês, e que da mesma forma que é difícil para um adulto estar em outro país de cultura diferente, é também para uma criança, mas não posso simplesmente ceder diante do primeiro choro.

Venho sendo “pedagógica” porque percebi que as crianças francesas estão um passo à frente em termos de independência do que as brasileiras. Isso porque comem de garfo e faca, se vestem sem ajuda, vão ao banheiro para o “número 2” sozinhas. Para os meus filhos, confesso, tudo isso é novo porque eles sempre tiveram alguém - uma babá ou os pais, tias, avós - para fazerem isso. E não quero que eles fiquem se sentindo mal por não terem essas habilidades.

Algumas vezes, eles me relataram que preferiram não ir ao banheiro, porque não saberiam se virar sozinhos... e também que todos os amigos comiam de garfo e faca. Então, fizemos um combinado de treinar tudo isso em casa, apesar de eles quase sempre não estarem dispostos a aprender.

Estresse aqui em casa se chama desabotoar e abotoar a calça, calçar as meias e os sapatos, vestir a camisa.... Porque eles querem que eu faça tudo por eles! Claro que, para mim, é muito mais fácil e menos estressante fazer logo tudo e acabar com a confusão. Mas venho preferindo o mais difícil, a pedagogia, mesmo que eles chorem, duvidem do meu amor, me chamem de chata, digam que a França é chata e me tirem a paciência com chantagens e "só se".

Sinto que estou fazendo a coisa certa, ao mesmo tempo em que me sinto insegura pela possibilidade de estar exagerando, de não estar acolhendo o seu sofrimento diante do novo momento. E se a dor na barriga era realmente verdadeira?

Isso eu não sei, talvez seja um ensinamento, constatação, exemplo para outro post e para minha vida de mãe. Vamos ver.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Gagueira infantil

Incentivada por uma amiga, que encontrou na internet essa matéria que eu fiz em 2009, vou compartilhá-la no blog. Trata da gagueira, um tema que aflige muitos pais.


Superando a gagueira

O tratamento para gagueira deve ser feito com fonoaudiólogos ainda na infância, quando aparecem os primeiros sinais da disfluência, como repetições de início e bloqueios.

PAOLA VASCONCELOS
Publicada em 20/12/2009, no Viva, do Jornal Diário do Nordeste


O indivíduo que tem gagueira sempre foi motivo de chacota e piada pela sociedade. Muito mais do que um problema emocional, a gagueira é uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que, se for detectada e tratada de forma precoce, pode ajudar a mudar essa realidade.
Estima-se que 1% da população mundial sofra desse transtorno. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), ele afeta 5% dos habitantes, o equivalente a 9,5 milhões de pessoas. E 1% dos brasileiros gaguejam de forma permanente e há muito tempo.

Os primeiros sinais da gagueira acontecem durante a infância, por volta de dois anos e meio a três anos de idade, justamente quando acontece o desenvolvimento da fala.

A fonoaudióloga Lia Brasil Barroso, coordenadora do Curso de Fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) explica que não existe uma causa definida para a gagueira e que fatores como hereditariedade e meio ambiente podem contribuir para o desenvolvimento do problema. De acordo com ela, já foi identificado um gene da gagueira, o que reforça os fatores hereditários para o surgimento do distúrbio. No entanto, a fonoaudióloga destaca que nem todas as pessoas que possuem o gene desenvolvem a gagueira, o que reforça também a questão ambiental, que envolve as condições em que o indivíduo vive.

"Existem estudos que mostram que a gagueira pode acontecer no primeiro filho, provavelmente pelo exagerado grau de exigência e atenção em torno dele ou ainda no último filho, que recebe menos atenção dos pais, aquele que se cria sozinho. Assim como a imitação da fala pela convivência com uma pessoa com o distúrbio, essas são demonstrações de como o meio ambiente pode influenciar na gagueira", destaca.

O fato, segundo Lia Brasil Barroso, é que sabe-se que o problema é causado pela falta de sincronia entre os dois hemisférios cerebrais e que o fator emocional sozinho não é determinante para o aparecimento da gagueira. "O fator emocional é agravante para quem tem predisposição genética para a gagueira, mas sozinho não causa o problema".

O importante, conforme a coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Unifor, é fazer uma intervenção precoce, caso apareçam sintomas como repetições de início, bloqueios e prolongamentos por um período maior do que três meses entre 2 e 4 anos de idade. Lia Brasil alerta também que junto com essas manifestações podem acontecer tiques, como piscar de olhos, tremores, puxadas de cabeça acompanhando o ato da fala.

Linguagem

É comum as crianças enfrentarem períodos de disfluência, durante os quais elas repetem palavras não por serem gagas, mas, segundo ela, por estarem em fase de estruturação da linguagem. "Essas repetições são esporádicas e devem desaparecer com o passar do tempo. Quando a criança é gaga, as repetições são frequentes e tendem a se agravar, enquanto não houver tratamento", alerta.

Por conta da aquisição de linguagem nessa faixa etária é comum a criança apresentar manifestações de gagueira, repetindo palavras, tendo bloqueios. Se estes persistirem por mais de três meses, conforme Lia Brasil, é importante que os pais estejam alerta e busquem uma avaliação com um fonoaudiólogo. "A gagueira não tem cura, mas desde que se faça uma intervenção precoce é possível obtê-la em crianças. Intervenções tardias ajudam a pessoa gaga a obter uma melhor qualidade de vida, mas sem cura", explica.

Bloqueios, repetições e prolongamentos da fala com muita frequência podem ser indícios de gagueira e, conforme a fonoaudióloga é nessa hora que os pais devem procurar um profissional para avaliar a situação.

Lia Brasil Barroso explica que na avaliação o fonoaudiólogo vê a fluência da criança, linguagem, a motricidade oro-facial e a voz. Nas crianças acima de sete anos, a observação inclui também um exame audiológico. O tratamento, de acordo com Lia Brasil, inclui sessões de terapias individuais e em grupo com profissionais especializados. Um dos locais que dispõe de ambulatório para disfluência é o Núcleo de Atendimento Médico Integrado (Nami), da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Mudança cerebral
O problema central na gagueira consiste em uma dificuldade do cérebro para sinalizar o término de um som ou uma sílaba e passar para o próximo. Desta forma, a pessoa consegue iniciar a palavra, mas fica "presa" em algum som ou sílaba (geralmente o primeiro) até que o cérebro consiga gerar o comando necessário para dar prosseguimento com o restante da palavra. Acredita-se, conforme o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), que as estruturas cerebrais envolvidas com a gagueira sejam os núcleos da base, os quais estão envolvidos com a automatização de tarefas, como dirigir, calcular, escrever, falar. Portanto, a dificuldade central na gagueira estaria em uma automatização deficiente dos movimentos de fala.



O IBF explica que existem pesquisas com neuroimagem funcional demonstrando que a terapia fonoaudiológica promove mudanças na maneira como o cérebro processa a fala. Isso significa que, após a terapia, algumas regiões cerebrais estão mais ativadas e outras menos ativadas.

As melhoras obtidas tanto na fluência da fala em si, como na forma de lidar com a gagueira, são decorrentes das mudanças funcionais no cérebro ocasionadas pelas técnicas de terapia fonoaudiológicas.

Abrangência

1% Da população mundial sofre com a gagueira. Os primeiros sintomas da disfluência aparecem durante a infância, entre dois anos e meio e quatro anos de idade

9,5 Milhões de pessoas no Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), são afetados pela gagueira, que se for tratada precocemente, ainda na infância, pode ser superada


Herança genética


Cerca de 55% das pessoas que gaguejam têm pais, irmãos, filhos, tios, primos, avós e ou netos com gagueira, conforme dados do Instituto Brasileiro de Fluência (IBF). A tendência para a gagueira é transmitida por um gene que já foi mapeado. No entanto, nem todas as pessoas que têm o gene desenvolvem o distúrbio da gagueira. A manifestação do problema sempre dependerá da interação com o ambiente. A maior parte dos estudos genéticos indicam a possibilidade de a gagueira ser transmitida por herança poligênica ao invés de gene único, o que quer dizer que haveria alguns poucos genes responsáveis pela gagueira e não apenas um só. A genética influencia de modo marcante na tipologia da gagueira e as manifestações da disfunção entre parentes geralmente são semelhantes.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Como é difícil lidar com sentimentos!

Lidar com os nossos próprio sentimentos não é fácil. Imagine para um pedacinho de gente que ainda está se descobrindo. Aqui em casa, tenho um rapaz que "sofre" e outro que se "enfurece". (Não estranhe as adjetivações, não se trata de situação pejorativa, mas de manifestações normais da personalidade....).

O meu mais velho tem uma tendência a supervalorizar pequenas situações como se fossem o fim do mundo, uma drama mexicano, com lágrimas, sofrimentos, lamentações e tudo mais.  Fica chateado e consegue expressar o que sente com palavras, o que é ótimo. Depois de um chororô, já está alegre novamente e volta tudo ao normal.


O mais novo fica enfurecido. Quer bater, jogar os objetos no chão, grita, esperneia, me chama de "chata, baixinha, gorducha".... Fica com tanta raiva que até cansa. Ele ainda não sabe lidar muito bem com a raiva (Ok, eu também, no alto dos meus 30, ainda não aprendi!). Não consegue se controlar. Bate no irmão, no amigo, chora de arrependimento. Quebra um brinquedo e depois quer voltar atrás.

Nas duas situações, tenho uma tendência a ser firme -- às vezes até demais -- mas isso tem gerado bons resultados. Repito o mantra: se está com raiva, chateado, triste, tem que conversar para resolver. Isso vale também na hora da briga.

O resultado, eu sei ,é lento, no entanto, progressivo. Hoje, tenho bem menos espetáculos de birra para administrar. Sempre que acontece uma situação em que algo que não foi legal aconteceu, conversamos antes de dormir. Eles reconhecem e prometem não repetir. Não que isso vá acontecer imediatamente, mas ele vai  lembrar, em outro momento, que aquilo que fez não foi legal nem para ele nem para ninguém.

Uma forte aliada que eu utilizava eram as "histórias de boca", que eu mesmo criava, envolvendo personagens com nomes diferentes, mas que passavam por situações parecidas. Mas eles já descobriram que os personagens eram eles.  Agora, por indicação da psicóloga da escola, encontrei uma coleção de livros que fala sobre os sentimentos. Aborda raiva, alegria, tristeza, medo de uma forma muito próxima da criança e com ilustrações representativas.

Sempre que a situação pede, recorro a eles na leitura antes de dormir. Enquanto um se identifica com as situações e comenta, numa forma de reflexão, o outro diz que não quer falar sobre o assunto, mas ouve atento, faz perguntas, só não fala de si mesmo.

O resultado após a leitura é bem interessante, por isso recomendo os livros para ajudar. Afinal,  não se trata de querer mudar a personalidade dos filhos, mas de ajudá-los a entender melhor o que acontece com o nosso corpo quando esses sentimentos nos invadem.



Coleção Sentimentos-Jane Bingham
Todo mundo sente raiva
Todo mundo sente tristeza
Todo mundo sente alegria
Todo mundo sente medo