terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Como é difícil lidar com sentimentos!

Lidar com os nossos próprio sentimentos não é fácil. Imagine para um pedacinho de gente que ainda está se descobrindo. Aqui em casa, tenho um rapaz que "sofre" e outro que se "enfurece". (Não estranhe as adjetivações, não se trata de situação pejorativa, mas de manifestações normais da personalidade....).

O meu mais velho tem uma tendência a supervalorizar pequenas situações como se fossem o fim do mundo, uma drama mexicano, com lágrimas, sofrimentos, lamentações e tudo mais.  Fica chateado e consegue expressar o que sente com palavras, o que é ótimo. Depois de um chororô, já está alegre novamente e volta tudo ao normal.


O mais novo fica enfurecido. Quer bater, jogar os objetos no chão, grita, esperneia, me chama de "chata, baixinha, gorducha".... Fica com tanta raiva que até cansa. Ele ainda não sabe lidar muito bem com a raiva (Ok, eu também, no alto dos meus 30, ainda não aprendi!). Não consegue se controlar. Bate no irmão, no amigo, chora de arrependimento. Quebra um brinquedo e depois quer voltar atrás.

Nas duas situações, tenho uma tendência a ser firme -- às vezes até demais -- mas isso tem gerado bons resultados. Repito o mantra: se está com raiva, chateado, triste, tem que conversar para resolver. Isso vale também na hora da briga.

O resultado, eu sei ,é lento, no entanto, progressivo. Hoje, tenho bem menos espetáculos de birra para administrar. Sempre que acontece uma situação em que algo que não foi legal aconteceu, conversamos antes de dormir. Eles reconhecem e prometem não repetir. Não que isso vá acontecer imediatamente, mas ele vai  lembrar, em outro momento, que aquilo que fez não foi legal nem para ele nem para ninguém.

Uma forte aliada que eu utilizava eram as "histórias de boca", que eu mesmo criava, envolvendo personagens com nomes diferentes, mas que passavam por situações parecidas. Mas eles já descobriram que os personagens eram eles.  Agora, por indicação da psicóloga da escola, encontrei uma coleção de livros que fala sobre os sentimentos. Aborda raiva, alegria, tristeza, medo de uma forma muito próxima da criança e com ilustrações representativas.

Sempre que a situação pede, recorro a eles na leitura antes de dormir. Enquanto um se identifica com as situações e comenta, numa forma de reflexão, o outro diz que não quer falar sobre o assunto, mas ouve atento, faz perguntas, só não fala de si mesmo.

O resultado após a leitura é bem interessante, por isso recomendo os livros para ajudar. Afinal,  não se trata de querer mudar a personalidade dos filhos, mas de ajudá-los a entender melhor o que acontece com o nosso corpo quando esses sentimentos nos invadem.



Coleção Sentimentos-Jane Bingham
Todo mundo sente raiva
Todo mundo sente tristeza
Todo mundo sente alegria
Todo mundo sente medo

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mochilas nas costas

A vida dá muitas voltas. E, normalmente, ela dá tão rápido que não conseguimos acompanhar. Estamos na expectativa de passar seis meses fora do Brasil. E, junto, claro, com meus rapazes, que já estavam até matriculados na escola, mas agora serão cidadãos do mundo. 

Depois de uma correria para tirar passaporte, carteira de identidade, tomar vacina de febre amarela, entre outras inúmeras que não cabe citar neste momento, estou na fase de me preocupar como vai ser para eles morar em outro país de língua diferente, frio, longe da vovó, do vovô, dos primos, dos tios, dos amigos da escola....

Acho que vai ser difícil no início, como será para toda a família, mas tive pensando, incentivada pela experiência de outras pessoas, que o melhor lugar para eles é ao lado do seus pais, seja onde for, no Brasil, na China ou na França.

Para mim, então, será uma experiência materna diferente e muito enriquecedora. Isso porque estou acostumada a ter sempre uma "ajudante" em casa, não só para as tarefas domésticas como também em atividades com as crianças.  Vou até gravar um quadro do programa do Faustão.... o se vira nos 30.... porque eu acho que é exatamente assim que deve ser administrar a vida de três rapazes, sendo um deles adulto. Pois é, tá faltando alguém aí. E eu também, claro.

O fato é que acho que será a hora de todos, inclusive os pequenos, também ficarem bem mais independentes. Tenho consciência de que, muitas vezes, exagero nos cuidados com isso, com aquilo, enfim, não deixo a própria experiência dos acontecimentos lhes darem um pouco mais de independência. Me incluo neste grupo, com certeza, porque sempre procuramos muletas para nos apoiar, queremos resolver tudo da forma mais fácil, cômoda e rápida.

Por que não deixar as crianças tomarem banho, escolherem e vestirem a roupa, calçarem as meias e os sapatos sozinhas, mesmo os mais pequeninos? Confesso que na correria do dia queimo etapas. Nesta viagem, devo contar com a ajuda deles mesmos para ensiná-los a tomar conta um pouco da própria vida. Vai ser muito bom para mim e mais ainda para eles.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O mundo das celebridades

Até que enfim um veículo de massa se comporta de forma responsável e comenta a realidades das reles mortais que suam e muito para voltar ao corpo, vamos dizer, normal (?) após a gravidez. Estamos fartas de exemplos vazios de celebridades que mal pariram a criança já estão nas revistas alardeando ser a nova Barbie!  Tudo bem, as celebridades vivem disso. Infelizmente, por outro lado, elas têm um poder enorme sobre as outras mulheres. Taí o problema. A colunista da Folha de São Paulo, Nina Lemos, fez um texto (muito bom!!!) que fala sobre o assunto.

Comentário: Famosas decretam o fim do resguardo


NINA LEMOS

COLUNISTA DA FOLHA

O que você faz depois de ter um filho? No que depender do exemplo das celebridades brasileiras (e do que é noticiado sobre elas) você deixa o album do bebê de lado e o descanso fica para outra hora. Isso não é importante. Não há tempo a perder. A única coisa urgente é que você entre em forma imediatamente. Depois que isso acontecer, você vai ser capa de uma revista contando como "queimou" 15 quilos em um mês. A revista vai vender bastante. E virar notícia na internet.

Para isso, é preciso correr (literalmente). Coisa que a atriz Giovanna Antonelli fez essa semana. E, claro, virou notícia. Pouco mais de um mês depois de ter gêmeos, a atriz já malha por aí com uma personal trainner do lado. "Duas semanas após o parto já estava me exercitando", disse a moça, que foi submetida a uma cesariana.

Do outro lado do mundo, naquela parte onde ficam as pessoas anônimas, uma moça olha tanto esforço e se sente uma fracassada. Como assim, só eu que tenho filho e fico meses e meses me sentindo flácida e meio gorda? Será que eu sou preguiçosa? Ou pouco esforçada?

No que depender do esforço (físico) das celebridades, a culpa das mortais só vai aumentar. A apresentadora Adriane Galisteu avisou essa semana que vai se submeter a um "sério" tratamento. Objetivo: recuperar a barriga malhada após ter sido mãe de Vittorio. Passar fome e "suar" nesse caso é pouco. É preciso ter um corpo perfeito. E que todas as marcas da gravidez sejam apagadas. Imediatamente, por favor. Para isso, que tal um caro e dolorido tratamento com laser?

As celebridades decretam assim o fim do resguardo. Se você seguir o exemplo delas (e é isso que se espera que aconteça, infelizmente) vai se sentir um lixo. Sim, porque mulheres normais depois que têm filho ficam com olheiras (nem todas têm babás vestidas de branco, alô!), e demoram um tempo para entrar naquela antiga calça jeans. Mas a vida é dura. Por isso, enquanto você cuida do seu filho se sentindo meio acabada, uma famosa conta na capa da revista o quanto fez de esforço, o quanto "fechou a boca". É como se ela gritasse para você: fracassada! Preguiçosa! E, o pior de todos os xingamentos contemporâneos: gorda!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Limites e sentimentos

Ser permissiva é muito diferente de dar limites. Talvez seja essa coisa de limites uma das partes mais complicadas do relacionamento entre pais e filhos. E saber expressar a medida do limite, com respeito, autoridade, sem ser grosseiro, é um desafio. Eu mesma, não sei se consigo.
Algumas vezes adoto uma linha duríssima, categórica; noutras, sou mais maleável. Em outras, grito, simplesmente.

Hoje de manhã, assim como em alguns episódios, foi um show aqui em casa. Menino não quer acordar, não quer tomar banho, quer tomar café da manhã na hora que bem entender, quer buscar o brinquedo para levar para a escola quando está dentro do elevador, quer botar o cinto de segurança da cadeirinha sozinha.... Jesus! Estamos atrasados!!!!!

Não aguentei e resolvi mostrar que eu também fico chateada, que me incomoda muito ter que administrar uma situação repetitiva e que poderia ser diferente. Reclamei, fui dura e me surpreendi. Eles se comovem e se importam com isso. Lembrei exatamente da descrição de cena de uma colega que tem gêmeas me relatou quando depois de receber os carões, ficaram se abraçando dentro do elevador, como se reconhecessem que estão errados e que se solidarizam com o outro. Fiquei com vontade de rir na hora, mas não dá.

O fato é que, depois, ficaram disputando a minha mão, querendo mais abraços e mais beijos na despedida na escola. Perceberam minha insatisfação e quiseram agradar, garantir o lugar no coração da mãe. Claro que não cedi a esses encantos.

Então, não acho errado uma mãe demonstrar aos seus filhos que algo não vai bem entre eles. É uma relação que vai adiante e deve ser como qualquer outra. As crianças não são intocáveis e devem também ter o desejo de melhorar. Mesmo que, na volta da escola, eles já tenham esquecido tudo o que passou. Uma hora, quando precisarem, eles vão se lembrar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sobre as novas mães reféns de babás

Quando eu era pequena, lembro-me que nunca, nem eu nem as minhas outras duas irmãs ou ainda os meus primos, tivemos babá, nesses moldes que conhecemos hoje, de uma pessoa exclusiva para estar ao lado em cada respiração que a criança der. Minha mãe e meu pai sempre trabalharam, tinham vários empregos e a gente ficava em casa com uma pessoa que atuava muito mais como uma secretária do que propriamente babá.

Quando os meus meninos eram menores, as babás eram motivo de verdadeiros dilemas. Hoje, gracias!, não são mais. Mas ainda me assusto e tento não julgar aquelas mães que têm as babás como pessoas até mais importantes do que os próprios filhos.  Meus filhos têm babá, uma pessoa que me ajuda em casa  ou quando estou trabalhando e de quem nós gostamos muito. Mas, quem cuida é a mãe e o pai deles. A referência somos nós!

O fato é que, conversando com uma amiga casada com um pediatra, várias reflexões surgiram, a partir de relatos de comportamentos rotineiros entre as mães modernas. Mães inseguras relatando que se não for como a babá faz, o filho não dorme, não come, não brinca.... E elas acreditam! Não conhecem nem o próprio filho e ficam reféns de uma pessoa que deve ser uma solução e que acaba virando um problema.

Outra: delegam tarefas de responsabilidades, como levar ao médico, para fazer exames ou ainda administrar remédios sem uma orientação, a outras pessoas. Ou ainda não mantém nenhum contato com a criança e transferem o convívio doméstico e social para a babá. De mãe mesmo, só o nome.

Uma vez levei o meu filho menor a uma consulta médica e, assim que entrei no consultório, o doutor me perguntou se "eu" não tinha babá, se eu tinha vindo sozinho com ele.  Eu disse que tinha babá sim, mas que  ela não estava ali. Imagino que ele se espantou com a situação: uma jovem mãe sozinha com seu filho, sem uma bábá para segurar a sacola ou ficar com o menino enquanto ele conversava comigo... Nossa sociedade está repleta de fórmulas prontas, estereótipos, vícios. Criamos novas necessidades e também novos problemas. 

Outro dia, fui a um aniversário que, além da lembrancinha da criança, a babá também ganhava uma personalizada. Por que os pais também não ganham, eles não merecem? Não desmereço em nenhum momento o papel dessas pessoas que têm a tarefa árdua de cuidar dos nossos filhos enquanto estamos ausentes ou que nos ajudam em casa. Mas acho que as mães estão dando uma importância demasiada à terceirização do cuidado com as crianças, ao invés de se preocupar em participar.

Eu mesmo, faço essa autocrítica. Às vezes, me pego restringindo passeios, viagens ou alguma tarefa porque a babá não pode ir ou porque não quero ter o trabalho de ir sozinha com duas criaturas que não param um minuto sequer. As experiências que tive consomem a paciência, mas não são terríveis e resultam até em bons momentos. É claro que é difícil, mas tem que existir.

Então, ficamos pensando: as mães de hoje, na qual me incluo entre elas, não estão preparadas para assumir de fato a tarefa prazerosa e trabalhosa de cuidar dos filhos? Esses jovens modernos, pais e mães que trabalham muito e têm muitas responsabilidades não querem ter trabalho dando banho, alimentando, cuidando, brincando, colocando para dormir, administrando birras, acordando de noite quando os pequenos estão doentes??... É, não é fácil mesmo!

A nossa conclusão foi que é mais fácil "terceirizar" para a babá, principalmente quem pode pagar por essa estrutura, do que colocar realmente a mão na massa. Em compensação, perdem  momentos maravilhosos, diminuem a confiança entre pais e filhos, fragilizam desde cedo uma relação cujo fortalecimento acontece na infância. As mães não querem ter o "trabalho" de cuidar dos filhos, que não têm culpa dessa situação e aprendem desde cedo que carinho, atenção e amor podem ser terceirizados. Definitivamente, não dá para terceirizar um abraço, um cheiro, o olho no olho, as mãos dadas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Em busca de um corpo perdido


Um dia, a ficha cai. E cai mesmo. Não tenho o mesmo entrosamento com os espelhos da minha casa como antes. Com pouco mais de uma dezena de quilos a mais, uma silhueta "avantajada" e uma pele de barriga e seios que já foi esticada pela passagem quase ininterrupta de dois meninos, estou hoje aqui querendo voltar a um período de dez anos atrás.

Não dos momentos, mas só do físico. Como é difícil perder peso, fechar a boca para os prazeres dos jantares que ultimamente são os nossos programas mais assíduos e também manter o pensamento focado e fazendo mundos e fundos conspirar em torno da sua hora de ginástica (de seis à sete da manhã, tá bom?!!) e do cumprimento da sua dieta!!! Ufa!

No último domingo, numa saída para pizzaria com mais dois casais amigos e filhos, optei pela salada. E o próximo encontro, num bar de chopp maravilhoso recém-inaugurado, ficou para daqui um mês. E olhe lá!

O fato é que quando os meninos são pequenos, a gente fica tão fissurada neles que deixa muitas coisas para depois. Inclusive a luta contra os quilos ganhos. Eu mesmo, na hora de optar em ir para a academia ou ficar mais um pouquinhos com um deles, optei pelo quê? Claro optei em não ir para academia, caminhar, correr ou qualquer coisa do tipo. Opção consciente, sem arrependimentos. Mas poderia ser diferente, pois hoje sei que é preciso estabelecer o nosso próprio tempo, porque senão somos consumidas pela maior ou menor exigência de seres tão pequenos, mas que ocupam um espaço enorme nas nossas vidas.

Em nenhum momento deixei minha vaidade de lado e acho até que ela vai muito bem. Mas não existe a mesma disponibilidade de antes. Como muitas mulheres, busquei fórmulas milagrosas, "bolinhas", dietas líquidas e até pensei numa cirurgia plástica geral. Mas tenho medo de morrer! Então, estou ainda na luta e parece até que estou comemorando antes de vitória. nada!
Estou é apostando que, um dia, vou vestir um biquíni de lacinho de novo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Histórias musicadas para crianças na Zastras




Muito legal esse grupo ZipZap Contos e Canções. As crianças ficam hipnotizadas! Quem tiver oportunidade de ir, vale a pena, não só pela loja de brinquedos, que é bem diferente, mas também pela diversão da meninada. Grande oportunidade para controle do consumismo....
Será nesta sexta-feira, 13 de agosto, às 18h30min.
Serão três histórias:
-Um menino que odiava livros- Manjucha Pauaque
-Petrus- o menino do coração de pedra-Monica Serra Silveira
-Como se fosse dinheiro-Ruth Rocha (Adoro!)
A Zastras fica na Av. Virgílio Távora, 665, um shoppinzinho em frente ao Monte Carlo.